O fim de uma era

Bernie Ecclestone: Coma compra da categoria pela Liberty Media, o bretão finalmente sai da categoria. (foto: Revista Cafeicultura)
Bernie Ecclestone: Coma compra da categoria pela Liberty Media, o bretão finalmente sai da categoria. (foto: Revista Cafeicultura)

Nesta segunda-feira a manchete mais esperada por todo fã de Fórmula 1 se tornou realidade, Bernie Ecclestone, o CEO da Fórmula 1 deixou o cargo. O dirigente de 86 anos comandava a categoria a mais de 40 anos será substituído por Chase Carey, que veio a categoria com sua nova controladora, a Liberty Media. é uma notícia bombástica e esperançosa para uma categoria que perdeu grossamente o interesse do público nos últimos anos e, o mais grave, o interesse de seus fãs.

Ecclestone sempre foi uma figura bastante polêmica dentro dos paddocks. O ex-piloto (sim, ele chegou a fazer o Grand Prix de Monaco com uma inscrição privada em 1958, não conseguindo se qualificar. Um autêntico underdog) despertou admiração e ódio (mais este sentimento nos últimos anos) nos círculos do certame desde que era dono da Brabham, nos anos 70. O bretão era conhecido por suas decisões duvidosas e a língua afiada, qualquer um que visse isso por longa distância via um inapto aos comandos de um enorme e importante certame, mas a coisa não era assim realmente.

Admito, nunca gostei muito de Bernie, pelos mesmos motivos que 99,99% dos fãs de automobilismo não gostam. Bernie tornou a categoria que um dia era uma mar de garageiros e algumas equipes de fábrica, na qual qualquer um com impeto poderia chegar em um esporte de elite, tão longínquo da realidade quanto os reality shows sobre Vals Marchioris e Narcisas Tamborindeguys. Bernie (principalmente nos últimos anos) se rendia aos modismos e pressões modernas, como a oposição aos grandes motores e outras necessidades ecologicamente corretas, ele também tentou fazer o esporte se tornar mais espetacular, autorizando asas moveis, KERS e pensando até em molhar as pistas artificialmente. Muitas idéias bestas, muita coisa cai na conta do anão judeu casado com a advogada brasileira. Mas certas coisas, infelizmente, foram necessárias para a sobrevivência da categoria, na verdade, sem Ecclestone, provavelmente a categoria provavelmente já teria sucumbido, como a Fórmula 5000 e a Can-Am, contemporâneas da época pré-Bernard.

Anos 70: Apesar de ser digno de sua nostalgia, a categoria daquela época é inviável nos dias de hoje (foto: Road and Track)
Anos 70: Apesar de ser digno de sua nostalgia, a categoria daquela época é inviável nos dias de hoje (foto: Road and Track)

Se há muita nostalgia com relação a categoria garageira e até um pouco amadora de antes do Pacto de Concôrdia. Isso é justificável, pois, como disse antes, a categoria era mais alcançável, tinham gênios como Colin Chapman e pessoas normais, como Silvio Moser trabalhando nos mesmo paddocks. Vendo a categoria como é hoje, todos sentem saudades, mas sejamos sensatos, que categoria hoje, a nível de elite, tem as mesma condições? Infelizmente, o automobilismo evoluiu como um todo, a ponto de não mais autorizar, talvez pela segurança ou pela competitividade, tal situação. A Fórmula 1, como a IndyCar, a DTM ou qualquer categoria da elite teve que evoluir com o automobilismo. Mas isso não isenta e nem justifica muitas ações do bretão, ele continua sendo um dos culpados pela falta de interesse do fã de automobilismo pela categoria-mór e até por seu declínio atual.

Chase Carey: Nas mãos - e no bigode - desse homem está o futuro da categoria. (foto: Adweek)
Chase Carey: Nas mãos – e no bigode – desse homem está o futuro da categoria. (foto: Adweek)

Agora, Ecclestone sai, terminando seus mais de 40 anos de administração da Formula One Management (FOM). O grupo americano Liberty Media comprou a categoria da CVC (sim, a mesma que faz cruzeiros) por 27 bilhões de dolares e promete tornar a Fórmula 1 interessante outra vez, porém, isso não acontcerá de uma hora para outra, segundo a própria controladora, seus planos serão a um prazo mais longo, algo como cinco anos. Hoje, Chase Carey, o vice-presidente da 21st Century Fox e agora, CEO da FOM tem uma difícil missão nas mãos. No mais, uma era acaba e outra vem. Que promete, promete, mas só o tempo dirá se serão só promessas.

 

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