Faíscas

Não exatmente estas faíscas, mas está valendo.
Não exatamente estas faíscas, mas está valendo.

Começo o post de hoje com uma confissão.

Admito eu, que quando vi a noticia da conceituada revista Quatro Rodas, sobre a pretensão de um grupo de empresários em criar uma categoria de fórmula com carros elétricos, eu achei que não passaria daquele protótipo que estampava a matéria. As datas de lançamento da suposta categoria corroboraram com o que eu achava que iria acontecer. Porém, aconteceu, por mais que demorou.

Admito eu, que quando vi pela primeira vez um vídeo on-board de um dos protótipos do carro da categoria acelerava pelas ruas moscovitas, eu fiquei completamente fulo. Achava um sacrilégio automobilístico o fato do propulsor daquela maquina ter o mesmo ronco que um reles carrinho de R/C elétrico. Exprimi N impropérios contra a categoria e sua idéia. Talvez fosse um purismo excessivo meu, eu não engolia aquilo. Admito ter tido muito preconceito acerca da categoria de carros elétricos. Porém, esta primeira temporada da Fórmula E tem me modificado por completo o que eu pensava sobre os carros elétricos e suas corridas em circuitos de rua.

A pole de Jarno Trulli foi surpreendente, porém, não durou mais que três curvas. (foto: F-E)
A pole de Jarno Trulli foi surpreendente, porém, não durou mais que três curvas. (foto: F-E)

O último exemplo foi o agitado ePrix da Alemanha, disputado no Aeroporto de Tempelhof, nos arredores de Berlim. As coisas já começaram de forma surpreendente, com uma inesperada pole-position de Jarno Trulli, que fez uma matadora volta de 1.21.547, já no primeiro grupo dos treinos¹. Trulli foi seguido por Lucas Di Grassi, com 1.21.623 e Sébastien Buemi, com 1.21.685. A disputa na classificação se tornava cada vez mais favorável a Di Grassi, uma vez que o Nelsinho Piquet, que está logo atrás de Di Grassi, em segundo, se classificou somente para a 13ª posição. De certa forma, o piloto paulista saiu ganhando de Tempelhof.

Por mais que Trulli carregasse toda experiencia de 15 anos de Fórmula 1 e tivesse surpreendido todos nos treinos classificatórios, o piloto de Pescara não conseguiu segurar o ímpeto de Di Grassi por mais que três curvas. Quando Trulli espalhou na terceira curva do antigo taxiway do aeroporto germânico, Di Grassi passou impiedoso e tomou a liderança, na qual dele, não foi tirada até o fim da corrida (por mais que seu propulsor houvesse falhado miseravelmente a 100 metros da linha de chegada, porém nem isso lhe tirou a vitória).  As disputas por posições ficaram por conta do belga Jerome D’Ambrosio (leia-se Dambrrôsiô) e do suíço com cara de paquistanês, Sébastien Buemi (leia-se Buemi mesmo), que passaram intermináveis voltas em uma briga encarniçada pela 2ª posição. Nelsinho Piquet, após uma corrida inteira gerenciando a energia do carro de modo impecável, terminou em 5º, após usar o FanBoost² e passar Stéphane Sarrazin e Nick Heidfield impiedosamente, e ainda sobraria para Loïc Duval, que estava em 4º, se não fosse pela cautela do piloto da China Racing em manter-se na zona de pontuação. A etapa berlinense terminou com uma vitória folgada de Lucas DiGrassi, seguido por D’Ambrosio e Buemi. A classificação do campeonato também ficou vantajosa para Di Grassi, que abriu uma vantagem de 20 pontos para Piquet, que ficaria cada vez mais apertado por Buemi, que ficaria com uma reles diferença de três pontos para Piquet. Ficaria…

 

Lucas Di Grassi: Uma vitória calma em Berlim, porém, efemêra. (foto: reprodução/Twitter)
Lucas Di Grassi: Uma vitória calma em Berlim, porém, efêmera. (foto: AP)

Mais tarde, naquele mesmo dia, a organização da categoria desclassificou Di Grassi da corrida, devido a desacordo do carro com as regras sobre as aletas aerodinâmicas (o carro de Di Grassi havia tido as mesmas reforçadas pouco antes da corrida). Isso jogou a vitória do colo de Jerome D’Ambrosio, tendo Buemi em segundo e Loïc Duval em terceiro. A classificação modificou de forma completamente diferente, tendo passado a liderança Nelsinho Piquet e jogando Di Grssi para terceiro, logo atrás de Buemi.

Isso só fez alimentar ainda mais a já forte rivalidade entre Piquet e Di Grassi. Pouco após a desclassificação, Di Grassi atacou, via twitter, seus oponentes.

Estão me fazendo ganhar o campeonato do modo difícil. Nem me preocupo. Eu vou voltar e chutar as bundas de Piquet e Buemi NA PISTA!!

Obviamente, o filho de Nelson Piquet não levou este desaforo para casa e retrucou sutilmente.

Agradeço a todos os integrantes da China Racing, que no ano todo me deram carros dentro das regras.

Nelsinho Piquet: Fez uma ótima corrida de recueração e de quebra, ganhou a liderança do campeonato após a desclassificação de Di Grassi. (foto: F-E)
Nelsinho Piquet: Fez uma ótima corrida de recuperação e de quebra, ganhou a liderança do campeonato após a desclassificação de Di Grassi. (foto: F-E)

E sim, a rivalidade entre Piquet e Di Grassi vem ficando cada vez mais pesada. As trocas de farpas e atitudes de corridas (como a trancada que Di Grassi deu em Piquet nos treinos classificatórios de Mônaco) tem mostrado uma rivalidade entre pilotos brasileiros que não era vista desde os meados dos anos 80, com Piquet e Senna. é algo interessantíssimo de ver em pista. E só os próximos ePrix podem dizer.

P.S. Glossário (sim, isso é raro aqui)

¹: Os treinos classificativos da Fórmula-E são divididos em quatros grupos que fazem suas voltas rápidas.

²: FanBoost é uma eleição feita no site da categoria, entre os fãs, se escolhe algum piloto para que seja dado um Push-to-Pass para a corrida.

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