Nippon

Aos meados da temporada de 2013 se noticiou uma grande novidade na categoria-mór do automobilismo mundial. A Honda, que havia se retirado da Fórmula 1 desde 2008, retornava ao certame, como fornecedora de motores da McLaren. Houve um enorme frenesi encima de tal retorno, principalmente pelo fato que tal parceria lembrava a áurea época da McLaren, em que Senna, Prost e Berger dominaram a categoria entre 1988 a 1992, até eu mesmo entrei em tal frenesi. Pelo que tudo parecia, a McLaren de Button, Alonso e Magnussen voltaria a dominar a Fórmula 1 como antigamente, ao mínimo, dar grandes dores de cabeça a dupla da AMG-Mercedes.

O propulsor: O que seria a tabua de salvação para a volta da McLaren tem se tornado um constante problema. (foto: divulgação)
O propulsor: O que seria a tábua de salvação para a volta da McLaren tem se tornado um constante problema. (foto: divulgação)

Porém, não é isso que vemos atualmente com a McLaren. As qualificações pífias e corridas mais desanimadoras demonstram exatamente o contrário, os problemas com o propulsor nipônico acabaram por jogar a equipe de Woking em sua pior fase desde 1994. Porém o que fez a McLaren entrar numa fase tão apagada? Se voltarmos no tempo, pode se começar a se explicar tal falha.

Desde Maio de 2013, quando a parceria entre a Honda e a McLaren foi consumada, dezoito meses foram gastos pela construtora de motores japonesa no desenvolvimento de um motor completamente novo, para se encaixar nos novos regulamentos de propulsores, que começaria sua vigência na temporada de 2014. Em suma, tudo poderia dar certo, havia tempo, havia vantagem, havia o dinheiro de Woking e toda uma estrutura de testes em uma das melhores equipes da categoria. Tudo poderia dar certo, poderia…

Os testes dos motores da Honda após o fim da temporada de 2014 foram o primeiro demonstrativo das fraquezas do propulsor japônes. (foto: Honda/LAT)
Os testes dos motores da Honda após o fim da temporada de 2014 foram o primeiro demonstrativo das fraquezas do propulsor japonês. (foto: Honda/LAT)

Quando os testes começaram, no fim da temporada de 2014, a McLaren provou, por si mesma, as falhas técnicas do propulsor. Os testes em Silverstone e Yas Marina demonstraram a falta de potência e a quase nenhuma resistência, tendo feito somente seis voltas em dois dias de testes. Se abandonou os testes com a mula (um carro da temporada de 2014, equipado com o motor novo) e se esperou o fim da construção do novo modelo da equipe para se voltar a testar o motor. Se entrou a pré-temporada, e a McLaren deu início aos testes de seu novo modelo, o MP4-30, em Jerez de la Frontera, porém somente deram início, os constantes problemas com o propulsor deixaram a equipe parada durante quatro dias, em meio a estes dias, a equipe teve que trocar centenas de componentes desenvolvidos pela Honda por componentes próprios, provindos do carro da temporada de 2014. Em Barcelona, a equipe não conseguiu desenvolver o motor de boa forma, tanto que até o fim da pré-temporada a McLaren só faria 19 voltas com o novo equipamento!

Em sua primeira etapa, na Australia, a McLaren veio com um propulsor mal-desenvolvido e Kevin Magnussen no lugar de Fernando Alonso, que ainda se recuperava de seu acidente na pré-temporada (outro empecilho ao desenvolvimento do motor), poderia não dar certo, e de fato, não deu, porém as proporções disso foram históricas. Desde sua criação, em 1966, a McLaren jamais havia se qualificado para os últimos postos do grid de largada, que foi exatamente o desempenho da equipe de Woking nessa etapa, Jenson Button, que marcou o penúltimo tempo do grid, ficou todo o tempo a 21km/h atrás de qualquer outro carro que qualificou naquela sessão. Na corrida, as coisas não modificaram em muito, Button segurou a díficil situação de bravo modo, terminando em 11º…de 11 comptidores restantes foi um desempenho pífio, mas melhor que o de seu companheiro, Magnussen, que se qualificou para a última posição do grid e sequer largou, devido a problemas no motor ainda na volta de apresentação.

Foi um susto ver a McLaren se quaificar para as duas últimas posições na Australia. (foto: Sutton Motorsports)
Sofrivelmente, a McLaren abriu a temporada com um motor em desenvolvimento e poucos testes. (foto: Sutton Motorsport Images)

Sofrivelmente, os bólidos prateados e negros passavam vergonha perto de carros que até o ano passado, Não eram páreos em disputas de pista para a McLaren. Era assustador ver uma decadente Lotus-Renault ter melhor desempenho que o bólido inglês! A Honda disse, logo após a etapa, que os motores foram postos em um “modo de segurança”, para preserva-lo do super aquecimento, em detrimento do desempenho geral do propulsor. Também foi citado que o desempenho diminuído seria mantido na etapa que vinha, a Malásia.

Aliás, na Malasia, a McLaren teria o retorno do asturiano de Oviedo, Fernando Alonso. Porém em questões de desempenho, isso não quis dizer absolutamente nada, tanto que o próprio Alonso se qualificou em último, a 3 segundos do pole-position, Lewis Hamilton e na corrida, viu o motor, na volta 20, abrir o bico e acabar com o dia do piloto espanhol. Para Jenson, nada foi muito diferente, se qualificou somente na frente de Alonso e da dupla da Manor (que não passou na regra dos 107%) e acabou abandonando na volta 40, quando a turbina do motor quebrou e acabou com a corrida de Jenson e ao fim, com o dia da equipe britânica.

Em resumo, a etapa chinesa foi o melhor que a McLaren teve até o momento, porém todos os outros... (foto: Sutton Motorsport Images)
Em resumo, a etapa chinesa foi o melhor que a McLaren teve até o momento, porém todos os outros… (foto: Sutton Motorsport Images)

 

Na China, pouco mudou, se qualificaram ambos em 17º (Button) e 18º (Alonso) e terminaram a corrida, respectivamente em 14º e 12º ,a despeito dos problemas na sessão de prática na sexta-feira, onde ambos pararam logo após a volta de instalação, devido a problemas no motor. Foi um bom fim de semana para a McLaren, em comparação aos dois últimos, a própria Honda, após a etapa, disse que havia tido um ganho de 25hp no motor após acertos feitos na China, porém, segundo um funcionário da McLaren, a desvantagem do propulsor japonês em relação a seus oponentes, era ainda de 100hp, um abismo, tecnicamente.

No Bahrein, a McLaren teve um fim de semana de extremos, Jenson Button teve, o que provavelmente foi, um dos piores fins de semana de toda sua carreira. Já na sexta-feira, nas praticas, seu carro teve problemas ainda na primeira volta cronometrada e ficou inútil após a tentativa da equipe de trocar a bateria do carro. No sábado, o buraco se tornou mais profundo quando Button simplesmente teve uma “síndrome de Life”, tendo problemas no ERS (o mesmo que, provavelmente, deu um choque em Alonso que o deixou fora da primeira etapa) e não conseguiu sequer terminar sua primeira volta de qualificação, não conseguindo tempo, Button sequer foi para a pista no domingo, havia acabado ali mesmo, com o motor Honda falhando ainda na primeira volta do Q1. Já para o asturiano Fernando Alonso, o fim de semana foi o melhor que ele pode ter com a McLaren até o momento, um sétimo tempo com a McLaren nas práticas de sábado, uma qualificação fantástica para o nível em que estava, um 14º lugar e uma corrida de resistência com o bólido britânico, que fez Alonso terminar o fim de semana com um 11º lugar, que para o nível das outras etapas do piloto de Oviedo pela equipe nessa temporada, foi quase uma vitória.

Talvez, a idéia de trocar o fornecedor de motores, para a McLaren, não foi tão boa. Ainda terão que recuperar muito tempo se quiserem voltar a ter, no minimo, o desempenho da temporada passada. (foto: NBC Sports)
Talvez, a idéia de trocar o fornecedor de motores, para a McLaren, não foi tão boa. Ainda terão que recuperar muito tempo se quiserem voltar a ter, no mínimo, o desempenho da temporada passada. (foto: NBC Sports)

Em uma perspectiva otimista, a McLaren passará ainda alguns maus bocados nessa temporada, uma vez que terá que recuperar muito tempo perdido para desenvolver melhor o motor que tanto foi noticiado que seria uma melhora substancial no desempenho da equipe (que definha lentamente desde alguns anos). A despeito de tudo isso, os propulsores alemães da AMG-Mercedes tem tido um desempenho superior acima de todos os propulsores da categoria, sendo que tecnicamente, não é um motor muito diferente do motor utilizado temporada passada pela equipe britânica. Há perspectiva de melhora? Sim, há. Mas muito terá que ser feito para que tal aconteça e o Grand Prix da Espanha está ai já, em 10 de maio.

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