Do Vietnam a Fórmula 1

Se há um assunto que gosto de falar, ou escrever, além do Automobilismo, Aeronáutica e outros assuntos (alguns sabem do que falo), é a Militaria. Estes assuntos são alguns dos culpados de eu não escrever muito aqui (alem do meu bloqueio de fim de ano). Mas, o que a militaria tem a ver com o automobilismo e o post de hoje, bom vamos pelo começo.

Este é Brett Lunger.

Brett Lunger, poucos se lembaram que é este piloto. Ele pilotou de 1975 a 1978  pilotando por equipe como Hesketh, Ensign, B&S Fabrications, entre outras… nunca marcou um ponto em sua carreira na Fórmula 1. Mas foi um herói  junto com outros pilotos, como Arturio Merzario, Guy Edwards e Harald Ertl, salvando o austríaco Niki Lauda, após o seu acidente em Nurbürgring, em 1976. Mas Lunger já tinha feito algo antes…

Lunger começou pilotando um carro parecido com este.

Lunger não era um fã de automobilismo, se assim dizer, era preferia Hockey, Baseball ou Futebol Americano, mas em 1965 ele viu uma corrida de Can-Am e acabou viciando naquele esporte chamado automobilismo. Em 1966, ele decidiu que iria pilotar na Can-Am, sendo ele descendente do pessoal da DuPont (grande empresa de produtos agrícolas), conseguiu um chassis McLaren M1, e equipu com um motor Chevrolet e pilotou na Nassau Trophy, em Bahamas, terminando em 8º. Em 1968, ele foi pilotar na Can-Am, com um chassis Lola T160, chegou a pilotar uma ou duas corridas, porem, sua pátria o chamava para lutar no Vietnam.

De 250km/h para 48km/h, é um belo retrocesso.

Ele passou 15 meses no Vietnam, como motorista de blindados, a o invés de pilotar um Can-Am a mais de 200km/h, ele estava pilotando um lento blindado M48 Patton que mal alcançava 50km/h. Naqueles 15 meses, Lunger aprendeu muita coisa e viu muita coisa, tanto, que após salvar Lauda das chamas de sua Ferrari, ele disse:

Perto do que passei no Vietnam, salvar Lauda foi uma tarefa fácil.

Após sua participação no Vietnam, ele voltou para as corridas, em 1971, ele  disputou o L&M Grand Prix, em Lime Rock Park, pilotando carros sport, chegando a disputar o segundo lugar na corrida. Mas sua primeira vitoria foi no mesmo L&M Grand Prix, em Donnybrooke, onde ele pilotou pela Fórmula 5000, onde marcou 58 pontos no evento. Porem, foi diagnosticado com uma doença e acabou não correndo o resto do ano, até o evento em Laguna Seca, onde garantiu um 3º lugar no campeonato. No ano seguinte, conseguiu a mesma classificação na L&M Continental 5000 Championship, Lunger estava começando a se equilibrara na carreira.

Lunger voltou do Vietnam pilotando muito bem, terminando a L&M Grand Prix em 3º.

Em 1973, Lunger partiu par a a Europa, pilotando na primeira corrida da temporada de Fórmula 5000 Europeia, em Brands Hatch, terminando em 2º. Lunger voltou a os E.U.A. e começou a pilotar na Fórmula 5000 local, terminando sempre em 2º ou 3º. Em 1974, Lunger voltou a pilotar em corridas de Can-Am, porem não deu muito certo, e ele acabou se acidentando no Californian Grand Prix de 1974, terminando assim sua carreira como piloto de Can-Am. Mas 1975 iria mudar muito sua carreira.

Brett Lunger pilotou na Fórmula 5000, sempre conseguindo pódios, mas nunca vitorias.

Em 1975, o piloto americano foi pilotar na Hesketh, conseguiu a vaga na equipe por amizade com o dono, Alexander Hesketh . Ele, Mario andretti e Mark Donohue, eram os únicos três americanos que estavam pilotando na Fórmula 1 naquela temporada. Em sua primeira corrida, o GP da Austria, em Österreichring, Lunger se qualificou em 9º e terminou em 13º, um bom resultado para uma primeira corrida, ainda mais que seu companheiro de equipe, Harald Ertl, abandonou por problemas elétricos na volta 23.

Brett Lunger até se acertou com o carro (ou não)

Em sua segunda corrida pela categoria, o GP da Italia, em Monza, ele terminou em 10º, mantendo bem o carro em uma corrida um tão quão movimentada (12 abandonos, algo até normal naqueles tempos). Mas já no GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen (que seria o ultimo GP da temporada), foram “outros quinhentos”, Lunger já começou se acidentando nos treinos, infligindo poucos danos a o carro, que foi consertado e mandado para os treinos, na qual conseguiu se qualificar, em 18º, na corrida, ele chegou a pilotar bem, chegando até a um 8º lugar, mas acabou se acidentando (foto) e abandonando a corrida. Foi a ultima corrida da temporada de 1975 e a ultima de Lunger pela Hesketh. Ele continuaria na Fórmula 1 em 1976, mas por outra equipe.

Eis ele, Brett Lunger na Surtees!

Em 1976, Brett Lunger patrocinado pela Chesterfield, pilotou pela Surtees. Pilotou bem nas primeiras corridas, mas no GP Oeste dos Estados Unidos, em Long Beach, Lunger teve alguns problemas e nem chegou a se qualificar, o próprio Lunger falou algumas coisas sobre o circuito:

Este circuito é muito estreito, é como manobrar um tanque Sherman em um estacionamento lotado.

Após esta corrida, Lunger somente teve pilotou bem, conseguindo bons resultados em Österreichring (10º) e em Kyalami (11º). Porem teve vários problemas nas suas corridas, abandonando em três etapas, Belgica (por problemas elétricos), Inglaterra (cambio) e na Alemanha, por causa de uma certo acidente que sera contado aqui.

“Ai que me refiro!!”

Quase todos sabem como foi este acidente, mas é sempre bom contar. Após perder o controle do carro, por causa de uma quebra na suspensão e bater contra o  barranco da curva Bergwerk, ele foi atingido pelo Surtees de Lunger, fazendo o tanque vazar e agravar as chamas que já tomavam a Ferrari de Lauda. Lunger, Arturo Merzario, Harald Ertl e Guy Edwards o retiraram das chamas rapidamente, mas não o suficiente para retira-lo intacto, ele ficou com varias queimaduras no lado esquerdo da face, estas, acompanham Lauda até hoje. Mas se não fosse por aqueles pilotos, Lauda seria mais um na lista de pilotos que morreram disputando etapas da Fórmula 1.

Lunger começou a temporada com este March velho…

Em 1977, Lunger saiu da Surtees e foi para a B&S Fabrications (equipe particular que usava chassis usados), levando junto seu patrocínio da Chesterfield. No começo da temporada, Lunger pilotava um March 761, usado da temporada de 1976, ele pilotou três corridas com este carro, GP da Africa do Sul, em Kyalami, onde terminou em 14º, o GP Oeste dos Estados Unidos, em Long Beach, onde abandonou após um acidente e o GP da Espanha, em Jarama, onde terminou em 10º. Aós este GP, a equipe conseguiu um carro melhor, uma McLaren M23, que havia sido usada por James Hunt na temporada de 1976, era um carro visivelmente superior a o March. Com a McLaren, eles conseguiram vários bons resultados, como um 9º lugar em Zandvoort e um 10º em Österreichring.

…e terminou a temporada com esta McLaren.

Em 1978, Lunger continuou a temporada com o mesmo carro da temporada passada, disputou as quatro primeiras corridas da temporada, até a equipe conseguir um carro melhor, e eles conseguiram. A equipe conseguiu uma McLaren M26, da temporada de 1977, era um avanço do velho M23B. Era um carro otimo, que nas mãos de Lunger, tirou ótimas corridas, como um 7º lugar na Belgica e um 8º na Inglaterra, mas só conseguia isso quando se classificava para as corridas, e isso foi raro, somente se qualificou para três corridas em toda a temporada com este carro. Estes resultados foram o fim para Lunger, que saiu da equipe, dando espaço a um certo brasileiro que havia ganhado o campeonato de Fórmula 3 Inglesa, ele se chamava Nelson Piquet. Mas isso não foi o fim da carreira de Lunger.

Brett Lunger em sua ultima corrida na F1, a o lado de Hector Rebaque.

A ultima corrida de Lunger foi o GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen. Lunger estava pilotando pela Ensign, com um N177. Foi uma corrida normal para Lunger, manteve o equilíbrio do carro e terminou em 13º. Foi um bom fim de uma carreira. Após esta corrida. Lunger tentou voltar a Fórmula 1, mas não conseguiu, já não era mais o tempo daquele veterano do Vietnam. Ele continuou a vida como jornalista na CBS, tendo cobrido vários GPs. Hoje, Lunger esta aposentado, morando nos Estados Unidos e disputando algumas maratonas.

 

 

 

 

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2 comentários sobre “Do Vietnam a Fórmula 1

  1. se ver um companheiro de pista morrendo na sua frente, e tentar o salvar for mais fácil q o Vietinam, respeito muito mais os combatentes vivos/mortos dessa guerra do q antes…

    Um Abraço!

    Felipe Pires

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